25/11/2014

A casa de um Poeta || Off topic



Na Sexta-feira passada (re-)visitei um dos monumentos declarados como património da minha terra. Já tinha ido nos meus tempo de escola, mas pela primeira vez pude ver todos os seus detalhes. E porque não dar-vos a conhecer um pouco sobre o local?




Este chalé foi a casa do poeta algarvio João Lucio (1880-1918), mandado construír em 1916.

Em 1897 foi estudar Direito na cidade de Coimbra e estabeleceu-se depois em 1902 como advogado, aqui na terrinha. Mais tarde torna-se Deputado e Presidente da Câmara, e em 1905 publica a obra que mais tarde o imortaliza como um dos maiores vultos da poesia Algarvia - O Meu Algarve.

Com a instauração da República, o poeta abandona a política e decide viajar com a sua família pela Europa. Provavelmente inspirado pelas suas viagens, João Lúcio projecta então este chalé completamente original no isolamento dos Pinheiros de Marim, nos arredores aqui da terrinha. Em Agosto de 1918, João Lúcio decide habitar o chalé com a sua família, no entanto o edifício está inacabado. Tristemente contrai o vírus da pneumónica que assolou a região, falece a 26 de Outubro de 1918, com apenas 38 anos de idade.

O Chalé João Lúcio é uma casa rotativa, de planta circular, ou seja que não tem traseiras e por sua vez nenhuma entrada principal. Tem quatro entradas com escadaria distribuída pelos pontos cardeais e com forte simbolismo:

- a escadaria a norte tem a forma de peixe, representando a água
- a sul temos a guitarra, representando o fogo
- a nascente o violino, representando o ar
- a poente a serpente, representando a terra.

Felizmente tive a oportunidade de subir, pela primeira vez, até ao terraço e pude ver a escadaria no seu melhor. No solo não se têm a perspectiva perfeita, mas se ficarmos de frente para a escadaria conseguimos notar um pouco o seu desenho. Fiquei maravilhada.







O poeta João Lucio.







"(...)

Natureza imortal, tu que soubeste dar

Ao meu país do sul a larga fantasia,

Que ensinaste aqui as almas a sonhar
Nessa frescura sã da crença e da alegria:
Que inundaste de azul e mergulhaste em oiro
Esta suave terra heróica dos amores,
Que lançaste sobre ela o canto imorredoiro
Que vibra a sinfonia oriental das cores:
Tu que mostraste aqui mais do que em toda a parte
O intenso poder do teu génio fecundo,
Que fizeste este Céu para inspirar a Arte
E lhe deste por isso o melhor sol do mundo:
Ensina algum pintor a fixar nas telas
Este brilho, esta cor, inéditos, diversos,
E põe a mesma luz que chove das estrelas
Na pena que debuxa estes humildes versos." - João Lucio, em O meu Algarve






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